No site R& você consegue fazer a correção das questões da primeira etapa do Exame Nacional do Ensino Médio.
sábado, 3 de novembro de 2012
Primeiro dia de ENEM revela descompromisso com legalidade
Alguns fatos noticiados por sites de noticias revelam a falta de compromisso de algumas pessoas com a legalidade e as instituições públicas brasileiras. Isso é o que revela, por exemplo, o caso dos 37 candidatos que foram eliminados devido terem fotografado o cartão de respostas, o caderno de questões ou o local da Prova.
Isso só revela a falta de respeito com as instituições públicas e a ideia de que as regras são só para os outros. Não muito tempo atrás estudantes, jovens e tantas outras pessoas manifestaram - se pela quebra do sigilo do exame Nacional e sentiram - se lesados por isso. E foram mesmo. Mas nem todos, assim como aqueles que fizeram vazar as questões na época, respeitam e tentam manter a legalidade e credibilidades das instituições.
O exibicionismo e uma pseudo ideia de "informacionismo" acaba por desmontar todo um aparato criado para garantir a lisura do processo, os princípios democráticos, civilizatórios e republicanos.Isso entretanto foi resolvido de forma adequado pelo MEC e INEP.
Cota não é concessão, mas resultado de luta, diz professor da USP
Para o professor Marcus Orione, adoção de cotas sociais e
raciais em institutos e universidades federais pode fazer com que o Brasil
periférico passe a ser o centro das preocupações nas instituições de ensino
superior.
Professor da Faculdade de Direito da USP (Universidade de
São Paulo), Marcus Orione é um dos maiores defensores da implementação de cotas
raciais e sociais nas instituições públicas como forma de corrigir distorções
históricas entre brasileiros.
Em entrevista ao Brasil de Fato, ele rebate as críticas
comumente feitas por aqueles que são contrários à medida, discutindo temas como
a ameaça à meritocracia, o possível surgimento de uma nova segregação racial, a
impossibilidade de checar a veracidade das informações oferecidas por cotistas
e as consequências sociais das cotas. Confira.
Brasil de Fato: Professor, como o senhor avalia as cotas
sociais e raciais do ponto de vista da ampliação de direitos de negros,
indígenas e pobres no Brasil?
Marcus Orione: A previsão de cotas, para além da aquisição
de um direito em si, é um fato decorrente das lutas dos movimentos sociais, que
impulsionam o país para uma maior igualdade. Não se trata de uma concessão de
quem tem o poder, mas de uma luta da sociedade que consegue, por sua pressão,
transformá-la em realidade. A lei que contenha previsão de cotas, além de
outras ações afirmativas para estas populações fragilizadas, é aspecto formal
de um dado mais relevante: a luta de um país pelo fim das diferenças raciais,
étnicas e sociais. Na realidade, não se trata de conquista que cria novos
privilégios para estes setores, mas a que desfaz os privilégios, hoje
existentes, de uma elite branca brasileira que se esforça, de forma irracional,
para manter uma lógica que somente a prestigia.
Barsil e Fato: A política afirmativa de cotas recentemente
aprovada democratiza a Universidade e instituições federais públicas?
Marcus Orione: Considerada a igualdade, as cotas sequer
fazem restabelecer uma democracia que em algum lugar ou momento histórico ficou
perdida no país. A história do Brasil, para se realizar na sua concretude,
somente se consolidará quando os negros, indígenas e toda sorte de pobres
passarem de personagens secundários e massacrados para os seus verdadeiros
protagonistas. É inadmissível, por exemplo, se ingressar numa Faculdade de
Direito, como a do Largo de São Francisco, e quase não se ver negros entre os
estudantes e os professores. Os negros presentes naquele espaço são, em geral,
funcionários. Isto revela a própria inversão do espaço público, que não traduz,
geograficamente, a realidade do país, mas que diz muito sobre a divisão do
poder do Brasil.
Brasil de Fato: Professor, há quem fale que as cotas são uma
“ameaça” à meritocracia. Há dados e informações que comprovem a diferença entre
o desempenho de alunos cotistas em relação aos alunos não-cotistas?
Marcus Orione: O conceito de mérito é bastante relativo e
depende claramente dos valores que determinada sociedade tem como mais
importantes. Em tese, defende-se que aquele que mais merece possa acessar a uma
vaga nas melhores universidades. Mas o mérito não pode ser vislumbrado apenas
da ótica individual do candidato. É preciso superar essa lógica capitalista. O
mérito deve visto a partir da potencialidade do candidato para melhor produzir
conhecimentos, já que a universidade é, em essência, um polo de geração destes
conhecimentos. Portanto, deve-se merecer não porque se é efetivo na perspectiva
concorrencial de um vestibular hoje caduco. Deve-se merecer porque é potencial
gerador de saberes. Certamente que, quanto mais plural for a universidade,
maior a sua potencialidade de gerar tal saber. No entanto, o saber gerado não
pode ser apenas o que mantém vantagens para grupos específicos. Isso será
sempre reproduzido se a clientela das universidades, em especial nos cursos de
maior procura, se mantiver sendo a elite branca, proveniente em especial da
classe média. O conhecimento precisa de outras fontes, sob pena de gerar a
manutenção do estado das coisas e não impulsionar o crescimento do país, em
todos os aspectos. Conhecimento, enquanto poder, não deve ficar concentrado.
Não falamos o mesmo quando se trata do poder político e da necessidade de
regras que potencializem a rotatividade?
Por outro lado, ainda que sob a perspectiva clássica e mais
individualista do mérito, percebe-se atualmente que os alunos negros e outros
de segmentos mais pobres da comunidade não apresentam rendimentos menos
significativos do que o dos candidatos brancos durante o curso superior, ainda
que ingressando por programas de cotas. Estes números estão presentes na
experiência norte-americana, mas se encontram também na realidade brasileira,
como na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), por exemplo. Em ambos
os casos fica demonstrado que, em especial com a existência de programas de
apoios com bolsas de estudo e aprendizado específico em áreas como português ou
matemática, as diferenças de desempenho são desprezíveis. Esta constatação
também aparece no caso da USP, em relação aos admitidos pelos programas de
inclusão que são direcionados para os egressos das escolas públicas. Em
especial na experiência da UERJ, os cotistas também são os que apresentam menor
índice de evasão escolar, o que é extremamente importante pelo custo que cada
vaga ociosa representa para os cofres públicos.
Brasil de Fato: Os críticos também apontam a lei de cotas
como falha, dizendo que não será possível checar a veracidade das informações
sobre a renda dos estudantes e daqueles autodeclarados negros e indígenas. Isso
pode acontecer?
Marcus Orione: A UERJ desde o seu primeiro vestibular em
2003, em que destinou vagas para as cotas, sempre utilizou o sistema de
autodeclaração. A autodeclaração é a forma mais correta de se tratar a questão,
sendo inclusive aquela recomendada por documentos internacionais que tratam da
questão racial. A razão é simples: não é dado a ninguém dizer a respeito de uma
condição inerente a outro ser humano. Ora, não é razoável que se atribua a
terceiros a dicção da identidade alheia. Caso contrário, seria um poder
conferido a um terceiro sobre traço característico fundamental de certo grupo,
percebido na perspectiva de sua identidade. É poder demais de um homem sobre o
outro. No caso da UERJ, por exemplo, em quase dez anos, a questão não suscitou
grandes demandas sobre a veracidade das afirmações, sendo que o controle,
certamente, existe internamente no dia-a-dia da universidade, onde convivem
cotistas e não-cotistas. Registre-se que certo escritório, ligado a movimentos
sociais, colocou à disposição peça judicial no seu site, para que qualquer um
que se sentisse atingido pela declaração inverídica pudesse ingressar em juízo
contra aquele que se utilizou deste artifício. No entanto, a despeito disto
tudo, não há uma quantidade significativa de fatos que coloquem em risco o
sistema de cotas daquela universidade. Acho, inclusive, que a melhor maneira de
controle, se é que ela realmente é necessária, seria a realizada pelos
movimentos sociais ligados à questão racial. Se estes entenderem que esteja
havendo fraude, eles devem agir em defesa da causa racial. No entanto, acredito
que não se deva começar a questão pela presunção de má-fé. A boa-fé se presume.
Se alguém agir com má-fé, certamente, demonstrado o fato, há mecanismo
jurídicos à disposição de qualquer um, que se sinta prejudicado.
Brasil de Fato: A mudança do perfil social das Universidades
deve ter consequências em relação ao tipo de conhecimento científico produzido?
Marcus Orione: Inicialmente, e já está comprovado, o que
reforça a ideia de que o mérito não deve ser vislumbrado sob a perspectiva
individual, é que os cotistas, após formados, realizam de forma voluntária
maior prestação de serviços às comunidades pobres. Somente por este argumento,
não se justifica que sejam mais merecedores do que os demais – considerado o
mérito a partir do interesse da sociedade? Assim, nos Estados Unidos, por
exemplo, demonstrou-se que médicos provenientes de sistema de cotas atendem
duas vezes mais, como voluntários, as comunidades pobres. Esta maior disposição
também foi demonstrada em relação aos cotistas da UERJ. A questão me parece
clara e nos fornece elementos para a melhor resposta da pergunta: quem é
forjado na solidariedade irá, com mais facilidade, gestar soluções solidárias.
Este dado é extremamente importante para o incremento das pesquisas e do ensino
nas universidades. Hoje, extremamente centrados em óticas desocupadas da
realidade social, certamente que, com a modificação do universo de seus
discentes, o centro das preocupações seria outro, bem mais próximo de sua
própria realidade. O Brasil periférico seria o centro das preocupações, o
verdadeiro Brasil passaria a ser analisado nas universidades. O país tem
problemas sérios que poderiam ser melhor resolvidos se os cérebros existentes
na universidade estivessem efetivamente a seu serviço. No entanto, hoje
preocupado essencialmente com o seu futuro profissional, o jovem da elite branca
brasileira não pensa mais o país nas universidades, não busca mais as soluções
para os problemas nacionais, mas apenas para o seu problema pessoal de como se
virar no futuro profissional. É claro que existem exceções, mas que,
infelizmente, somente comprovam a regra.
Brasil de Fato: Outra crítica às cotas é de que ela é uma
nova forma de segregação racial às avessas uma vez que reafirma a identidade
negra como forma de conseguir "vantagens" em relação a brancos, mesmo
que estes sejam mais pobres que os primeiros. Como o senhor enxerga essa
questão?
Marcus Orione: Esta é
uma afirmação, no mínimo, equivocada. Para ser segregada no nosso país, a raça
branca, que se encontra em vantagem histórica de séculos, precisaria de uma
força oposta de mais alguns séculos. No entanto, qualquer política de cotas,
como é sabido por qualquer um, é transitória. Assim, no instante de equilíbrio
das forças, observada a lógica do capitalismo, as cotas não seriam mais
necessárias. Além disto, não há que se falar em instauração de uma divisão
racial, hoje supostamente inexistente no Brasil. Primeiro, porque a divisão
racial já existe, basta ver a guerra travada nos faróis entre as raças. Basta
ver a cor dos que são dizimados nas periferias. E assim por diante. O ódio
racial, de ambas as partes, já está instaurado, há muito, no país. As cotas
irão, isto sim, acabar com a segregação negra, sem que isto importe em uma
segregação oposta. Não se cria uma segregação acabando com a outra. Isto
remonta a um raciocínio primário e completamente desprovido de qualquer
cientificidade.
Brasil de Fato: Professor, os estudantes de escolas
públicas, negros e indígenas podem aguardar boas novidades sobre a possível
implementação das cotas nas Universidades paulistas?
Marcus Orione: Falarei especificamente da USP sobre a qual
tenho mais dados. A USP tem dois programas de inclusão social, chamados INCLUSP
e PASUSP. Ambos são voltados para os alunos egressos da escola pública. No
entanto, ambos são, a meu ver, completamente insuficientes, em especial se
analisarmos a questão da inclusão racial. Aliás, mesmo para os fins principais
a que se destinam, que é a inclusão do aluno de escola pública, me parece que
os dados não são tão animadores. Na sua última edição atingiram apenas o índice
de 28% de inclusão deste segmento, sendo que a população negra correspondeu a
2,6%. A insuficiência é apontada mesmo em documentos oficiais, que são
explícitos no sentido de que os alunos da Rede Pública que se inscreveram para
o INCLUSP, por exemplo, diminuíram sensivelmente desde a concepção do programa.
Veja-se, ainda, a baixa inclusão, especialmente em cursos de elevada
concorrência. No caso do curso de Direito do Largo de São Francisco, conforme
dados de março de 2012, a aprovação de candidatos inscritos no INCLUSP não
chegou a 9% e, na Medicina, por exemplo, não chegou a totalizar 15%. Veja-se
que, aqui, sequer estamos falando em número de aprovados na perspectiva racial,
que, segundo fontes oficiosas, chega no curso de Direito do Largo de São
Francisco, a 2%. Isso, aliás, é visível para qualquer professor, que, como eu,
ministra aulas para classes do diurno e do noturno. Mas alguns poucos avanços,
em especial do INCLUSP, devem ser aproveitados em caso de aprovação de um
sistema de cotas. Por exemplo, a admissão de que não basta apenas o ingresso,
sendo necessárias políticas para a permanência dos alunos negros na
Universidade como, por exemplo, os programas de bolsas, que ajudam a evitar a
evasão.
Da mesma forma, há dados interessantes que devem ser
considerados no discurso da admissão de alunos de segmentos menos favorecidos
da sociedade e que já estão demonstrados por ambos os programas. Assim é fato
que não é possível falar em baixo rendimento de alunos provenientes destes
segmentos em relação aos demais que cursam a Universidade. Este dado, e já
existem conclusões em outras experiências no mesmo sentido, deve ser
aproveitado para reforçar a política de cotas raciais. Estas questões são
importantes para a nossa reflexão a respeito inclusive do que se entende por mérito
nas universidades – que passará a ser qualificado pela ideia de diversidade,
indispensável ao espírito universitário e que é potencializada no caso das
cotas raciais, sociais e para pessoas com deficiência. Infelizmente, no
entanto, e apesar destes dados, o Conselho Universitário, em recente reunião,
ao invés de tratar o assunto de forma mais contundente, resolveu apenas
promover uma série de debates a respeito do tema. Pessoalmente, e vendo a
evolução da questão no país, acho que a USP está ficando para trás e isto
custará, com o tempo, a perda de sua credibilidade enquanto instituição pública
e de qualidade de seu ensino pois não dará o salto necessário para o
enfrentamento das grandes questões nacionais.
Fonte: Brasil de Fato
Enem 2012: 5,7 milhões de estudantes farão o exame neste sábado
Começa neste sábado (3) o primeiro dia de provas do Exame
Nacional do Ensino Médio()Enem. Mais de 5,7 milhões de estudantes brasileiros
são esperados para fazer o exame, que tem início às 13h.
Neste primeiro dia, os alunos serão testados nas áreas de
ciências humanas e suas tecnologias — história, geografia, filosofia e
sociologia —, e ciências da natureza e suas tecnologias — química, física e
biologia. O exame tem duração de quatro horas e 30 minutos e os candidatos
poderão sair da sala após duas horas.
Os portões fecharão pontualmente às 13h, no horário de
Brasília. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio
Teixeira()Inep, órgão do Ministério da Educação (MEC) responsável pela
aplicação do Enem, recomenda aos alunos que cheguem aos locais de prova com uma
hora de antecedência.
No domingo (4), acontecerá o segundo dia do exame. Os
candidatos terão cinco horas e meia para responder a 90 questões de linguagens,
códigos e suas tecnologias; matemática e suas tecnologias, além de escrever a
redação.
O Estado de São Paulo tem o maior número de inscritos, com
932,4 mil, seguido de Minas Gerais (653.074), da Bahia (421.731) e do Rio de
Janeiro (408.902).
Gabarito e resultado
Os gabaritos das provas serão divulgados pelo Inep no dia 7
de novembro. A previsão é que os resultados gerais saiam no dia 28 de dezembro.
Criado em 1998, o Enem avalia o desempenho dos estudantes ao
fim do ensino médio e é utilizado como mecanismo de seleção para ingresso no
ensino superior.
Fonte: R7
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
ETEC: inscrições até segunda
As Escolas Estaduais de ensino técnico, as ETEC's estão com inscrições abertas até segunda - feira dia 05 de Novembro. Veja a seguir as informações:
Encontre aqui a programação para o Processo Seletivo Vestibulinho 1º SEM/13.
INGRESSO PARA:
- Ensino Médio
- Ensino Técnico integrado ao Ensino Médio
- Ensino Técnico integrado ao Ensino Médio na modalidade EJA (Educação de Jovens e Adultos)
- Ensino Técnico (Presencial)
- Ensino Técnico (Semipresencial) modalidade EAD (Educação a Distância)
- Ensino Técnico (Presencial) – acesso as vagas remanescentes de 2º módulo
CALENDÁRIO PROCESSO SELETIVO VESTIBULINHO
- De 28/09 até às 15h do dia 25/10/12 - Inscrições do Processo Seletivo
- De 30/10 até às 15h do dia 05/11/12 - Novo período de Inscrições do Processo Seletivo
- 26/11/12 - Divulgação dos locais de Exame
- 02/12/12 (domingo), às 13h30min - Exame
- 02/12/12 (domingo), a partir das 18h - Divulgação do gabarito oficial para a 1ª série do Ensino Médio, do Ensino Técnico integrado ao Ensino Médio, do Ensino Técnico integrado ao Ensino Médio do Programa Rede e do Ensino Técnico integrado ao Ensino Médio na modalidade EJA e para o 1º módulo - para os cursos do Ensino Técnico (presencial ou semipresencial)
- 03/12/12 (segunda-feira), a partir das 14h – Divulgação do gabarito oficial para avaliação e certificação de competências para acesso às vagas remanescentes de 2º módulo
- 09/01/13 - Divulgação da lista de convocação dos candidatos inscritos para os Cursos de Técnico em Dança, Técnico em Regência e de Técnico em Canto
- 16/01/13 - Divulgação da lista de classificação geral para os candidatos inscritos nos demais Cursos
- 21 e 22/01/13 - Divulgação da 1ª lista de convocação e matrícula
- 23 e 24/01/13 - Divulgação da 2ª lista de convocação e matrícula
- 28/01/13- Divulgação da 3ª lista de convocação e matrícula
- 29/01/13 - Divulgação da 4ª lista de convocação e matrícula
- 30/01/13- Divulgação da 5ª lista de convocação e matrícula
Valor da taxa de inscrição
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Enem: participação de negros aumenta e aponta para equilíbrio
O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, disse nesta
terça-feira (30) que o número de inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio
(Enem) 2012 que se declararam negros, pardos e indígenas e são contemplados
pela política de cotas, está “bem próximo à sua presença relativa na população”.
De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais Anísio Teixeira (Inep), do Ministério da Educação (MEC), dos mais
de 5,7 milhões de participantes da edição deste ano, 2,4 milhões se declararam
pardos; 694 mil, negros e 35 mil, indígenas. Esse número corresponde a cerca de
50% dessa população, o que representa que há uma aproximação entre os inscritos
e a população.
Segundo o ministro, esse dado “deveria surpreender”, já que
há dez anos apenas 4% dos negros, que são 51% da população, tinham curso
superior. Hoje o índice está chegando a 19%.
“Temos que continuar trabalhando para que eles (os negros)
tenham nas universidades o mesmo peso que têm na sociedade. O mesmo vale para
os mais pobres. Há dez anos só 0,5% dos 20% mais pobres estava estudando ou
tinha curso superior e hoje já aumentamos oito vezes, são 4,2%. Só que entre os
20% mais ricos são 47% com diploma superior. Esta é a origem da verdadeira
desigualdade no Brasil: o acesso à educação”, disse, após participar da
abertura de um seminário sobre os desafios da educação no Brasil, no Centro de
Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), em Brasília.
Mercadante lembrou que a Lei de Cotas, cuja regulamentação
foi publicada há duas semanas, é uma política para os próximos dez anos, com o
objetivo de estimular o acesso desse grupo de brasileiros às melhores
universidades do país. A nova lei obriga instituições federais de ensino
superior a destinar progressivamente uma parte das vagas para estudantes que
frequentaram todo o ensino médio em escolas públicas.
O objetivo do governo é atingir o índice de 50% das vagas em
quatro anos. A distribuição por raças é um dos recortes previstos na
legislação. Os novos critérios terão de ser incluídos nas regras de seleção
para universidades públicas por meio do Enem.
Maioria de mulheres
O ministro da Educação também comentou o fato de a maioria
dos participantes do Enem 2012, que tem recorde de inscrições e participações
confirmadas, ser composta por mulheres. As brasileiras respondem por 59% das
inscrições, com 3,4 milhões, enquanto os homens somam 2,3 milhões (41%).
“Todos os dados mostram que as mulheres estão estudando cada
vez mais e ocupando cargos cada vez mais importantes. Elas têm níveis de
escolaridade maiores que os homens. Isso é muito forte no Brasil e também uma
tendência mundial”, destacou.
Mercadante voltou a tranquilizar os candidatos reafirmando a
segurança das provas, que segundo ele estão “muito bem guardadas”, e garantiu
que “tudo está ocorrendo dentro do planejado”.
“Vamos percorrer mais de 400 mil quilômetros para que todas
as provas estejam no dia do exame nas escolas onde têm que estar. Os alunos
podem ficar tranquilos. Esperamos que não haja nenhum incidente”, ressaltou,
acrescentando que o Enem 2012 conta com a participação de mais de 400 mil
fiscais.
Novos critérios
O ministro da Educação também demonstrou otimismo em relação
aos novos critérios de avaliação das redações. A nota será composta pelo
desempenho em cinco competências específicas, entre elas o conhecimento da
norma culta padrão da língua escrita e a compreensão da proposta de redação.
Além disso, cada texto será avaliado por dois professores de
forma independente. Caso haja diferença superior a 80 pontos em qualquer
competência ou maior que 200 pontos no total, a prova será reavaliada por um
terceiro corretor. Persistindo as discrepâncias, uma banca avaliadora dará a
nota final. A outra inovação é que os candidatos terão acesso às correções em
um prazo que será informado após o processo de avaliação.
Mercadante destacou que os alunos devem conhecer previamente
o caminho que farão para chegar aos locais das provas e ficar atentos ao
horário de aplicação dos exames.
As provas do Enem serão realizadas em 1,6 mil municípios de
todo o país no próximo fim de semana (3 e 4 de novembro). Os portões de acesso
serão abertos às 12h e fechados às 13h. O MEC recomenda que todos os participantes
compareçam ao local de realização das provas até as 12h, de acordo com o
horário oficial de Brasília.
O Enem é composto por quatro provas objetivas, com 45
questões cada, e uma redação. No sábado serão aplicadas as avaliações de
ciências humanas e suas tecnologias e ciências da natureza e suas tecnologias;
e no domingo, as de linguagens, códigos e suas tecnologias, redação e
matemática e suas tecnologias.
Fonte: Agência Brasil
Estudantes ocupam Congresso por 100% dos royalties do petróleo
Cerca de 300 estudantes ocupam o Congresso Nacional, desde
às 10h30 da manhã desta quarta-feira
(31), em Brasília (DF), para exigir a aplicação de 100% dos royalties do
Petróleo para Educação. A manifestação, que se concentrará na Câmara dos
Deputados, é organizada pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e União
Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES).
Cartaz da campanha dos estudantes pelos 100% dos royalties
do petróleo e 50% do fundo social do pré-sal para a Educação / divulgação UNE
Os estudantes querem garantir o repasse dos royalties do
petróleo e do pré-sal , em um momento decisivo para destinação e função de uma
das principais riquezas nacionais para ampliar o acesso à Educação. Hoje, está
prevista a votação do projeto de lei que trata da redistribuição dos royalties
do petróleo, na Câmara.
Reafirmando sua defesa pela garantia de investimento direto
de 100% dos royalties do petróleo e metade do fundo social do pré-sal destinado
à educação, este é o Brasil que a juventude relembra ao levantar o manifesto no
ato desta quarta-feira:
- os 13 milhões de analfabetos de nossa nação;
- os 3,7 milhões de crianças e adolescentes que estão fora
da escola;
- os mais de 5 milhões de estudantes com idade superior à
recomendada nos anos finais do Ensino Fundamental;
- os 25,5 milhões matriculados no Ensino Fundamental nas
redes estaduais e municipais de educação em escolas que precisam de novas
estruturas, mais professores, melhor organização, material didático com
educação direcionada;
- o alto índice de evasão escolar no Ensino Médio que chega
a 10,3%, estudantes que dificilmente terão outra oportunidade;
- os quase 7,5 milhões de estudantes do Ensino Médio
matriculados nas redes urbanas e rurais que pedem uma nova escola;
- professores insatisfeitos, mal remunerados e sem incentivo
nas salas de aula.
De acordo com texto divulgado pelas entidades estudantis, a
destinação dessa riqueza deverá reparar "um erro histórico que o pais
cometeu em determinados ciclos de riqueza."
Votação
Na tarde desta terça-feira (30), o presidente da Câmara,
Marco Maia, se disse confiante na votação do projeto que trata da distribuição
dos royalties do petróleo, embora o governo defenda mais discussão. “São 25
estados brasileiros, cerca de 450 deputados que querem a votação o mais
rapidamente possível, isso nos dá garantia de que o projeto será votado”,
sustentou.
Pouco antes, o líder do governo, deputado Arlindo Chinaglia
(PT-SP), havia defendido que a destinação dos recursos do petróleo seja mais
bem discutida, para prever, por exemplo, uma parte das verbas para o
financiamento da educação e do desenvolvimento tecnológico.
Marco Maia também considera essa medida importante e
considera possível a negociação para chegar a um consenso. “Todos têm interesse
em que a educação seja instrumento de desenvolvimento do Brasil, então podemos
ter acordo”, afirmou.
10% do PIB para a Educação
Todos os anos com Jornadas de Lutas, a juventude vai às ruas
em defesa de uma educação com mais qualidade. A aplicação dos 10% do PIB para
área com meta a ser atingida no Plano Nacional de Educação já foi declara pela
própria presidenta Dilma Rousseff, utilizando como alternativa de captação a
riqueza extraída do petróleo.
para a Ubes e a UNE, somente com investimentos maciços em
educação é que o desenvolvimento do país, que vem erradicando a pobreza, se
consolidará de maneira estrutural. "O desenvolvimento tecnológico, a
construção da nova escola e o protagonismo dos estudantes,a UBES, ao lado dos
secundaristas de cada estado do país - rumo à uma conquista sem precedentes,
reafirma sua defesa pela aplicação direta na educação por meio dos royalties do
petróleo", diz um trecho do texto divulgado.
Da redação com Twiiter da UNE e UBES
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Programa de bônus da USP não reduz desigualdades raciais
A Pró-Reitoria de Graduação (PRG) da Universidade de São Paulo apresentou os dados preliminares sobre inclusão social na instituição com o objetivo de propiciar uma avaliação do Inclusp – programa que concede bônus a alunos de escolas públicas no vestibular da Fuvest. Segundo os dados apresentados pela PRG, no ano de 2012, 28,03% dos alunos matriculados na universidade vinham de escola pública. O pico do percentual de alunos de escolas públicas matriculados na universidade foi em 2009 (29,62%).
O Núcleo de Consciência Negra da USP vem lutando pela adoção de cotas raciais na universidade, com apoio de outras entidades do movimento negro como o Educafro, o Instituto Luiz Gama e o Ceert. Em sua última reunião, o Conselho Universitário discutiu o tema e aprovou que a instituição realizaria uma série de seminários para discutir o assunto. O primeiro será realizado no dia 4 de dezembro, as 14h no auditório da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia e está sendo organizado por uma comissão vinculada à Secretaria Geral da universidade.
Os dados apresentados pela PRG no tocante à questão racial indicam questões importantes para serem refletidas sobre este problema. O primeiro deles é o descompasso entre o percentual de alunos negros (pretos e pardos) e indígenas inscritos no vestibular e os matriculados (portanto, que foram aprovados no processo seletivo e entraram nos cursos). A tabela abaixo mostra que sempre há um descompasso entre estes números:
Ano | Inscritos | Matriculados | Dif. |
2007 | 21,5% | 13,7% | 7,8 |
2008 | 20,1% | 13,9% | 6,2 |
2009 | 18,6% | 14,5% | 4,1 |
2010 | 16,6% | 12,5% | 4,1 |
2011 | 16,9% | 13,6% | 3,3 |
2012 | 18,4% | 14,1% | 4,3 |
Fonte: PRG/USP
A PRG não apresentou os dados de inscritos e matriculados dos outros grupos étnicos – brancos e amarelos – mas se deduz que, se há uma redução na participação percentual de negros e indígenas do grupo de inscritos para o grupo de matriculados, há um aumento da participação dos outros grupos. Em outras palavras, o processo seletivo da Fuvest opera como um mecanismo de branqueamento ou amarelização.
Foram apresentados, porém, dados referentes aos cursos de Medicina, Letras e Engenharia de todos os grupos étnicos. Com estes dados, é possível visualizar a situação de forma mais nítida.
No curso de Medicina, o percentual de negros inscritos no vestibular de 2012 foi de 16,4%; porém, entre os matriculados no curso, o percentual foi de 9,1%. Inversamente, entre os amarelos, havia 6,3% de inscritos, mas 16,7% de matriculados. Imaginando um universo de 1.000 vestibulandos disputando 20 vagas (a concorrência do curso de Medicina em 2012 foi de 52 por vaga); haveria 770 brancos, 167 negros, 63 amarelos. Após o processo seletivo, de cada 20 vagas, teríamos 15 brancos, 3 amarelos e 2 negros.
Assim, um em cada 20 amarelos passa, assim como um em cada 51 brancos. Entre os negros, apenas um em cada 80. Há, assim, quatro vezes mais chances de um amarelo passar no vestibular de Medicina que um negro.
Nas engenharias, a situação é semelhante. Em 2012, 74% os inscritos para a carreira eram brancos, 16% negros e 10% amarelos. Entre os matriculados naquele ano, 76% brancos, 8,9% negros e 15,2% amarelos. A concorrência no vestibular de 2012 foi de 16 por vaga aproximadamente. Por estes dados, foi aprovado um em cada 10,67 amarelos; um em cada 15,58 brancos e um em cada 28,45 negros. Há 2,66 vezes mais chances de um amarelo passar em engenharia que um negro. As chances de um branco passar são 1,82 vezes maiores que um negro.
Se há uma “amarelização” da Medicina e Engenharia temos um “branqueamento” no curso de Letras. Segundo os dados apresentados pela PRG/USP, em 2012, 69,9% dos inscritos no curso eram brancos, 24,8% negros e 4,9% amarelos. Dos matriculados, 77,5% eram brancos , 19% negros e 3,1% amarelos. A concorrência do curso foi de 3,89 por vaga.
Arrendondando a concorrência para 4 por vaga, de cada 400 alunos que disputariam 100 vagas, teríamos 280 brancos, 100 negros e 20 amarelos. Dos 100 matriculados, 77 seriam brancos, 19 negros e 3 amarelos. De cada 3,6 brancos um seria aprovado, contra um em cada 5,26 negros e um em cada 6,66 anarelos. Neste caso, as chances de um branco ser aprovado no vestibular de Letras é 1,45 vezes maior que um negro.
Assim, os dados preliminares apresentados pela Pró-Reitoria de Graduação da USP demonstram que o programa de bônus de pontuação a alunos de escolas públicas existente no vestibular da universidade não tem reduzido de forma significativa as barreiras raciais. As assimetrias raciais que prejudicam a população negra continuam se reproduzindo, mantendo a desigualdade de oportunidades.
Texto de : Dennis de Oliveira
Prorrogadas as inscrições do Concurso Aprender e Ensinar até 26/11
Professores da rede pública de todo o País podem participar
e concorrer a uma viagem para a TunísiaO período de inscrições do 3º Concurso
Aprender e Ensinar – Tecnologias Sociais foi prorrogado até o dia 26 de
novembro. Promovido pela revista Fórum e a Fundação Banco do Brasil, o concurso
já recebeu inscrições de educadores e professores de todo o Brasil. Com o prazo
maior, a expectativa é que mais pessoas participem, ajudando a disseminar boas
ideias na educação.
Podem participar professores da Educação Básica, vinculados
à rede pública, institutos federais, escolas técnicas públicas e espaços não
formais de educação, como EJA e ONGs. Ao se inscrever, todos ganham uma
assinatura da revista Fórum até abril de 2013 e um livro sobre tecnologias
sociais.
Para concorrer aos prêmios, o professor já inscrito deve
efetuar a “Certificação”, que consiste em responder duas perguntas sobre a
iniciativa desenvolvida ou que pretende realizar na escola. A partir das
respostas serão selecionados 64 finalistas que ganharão um tablet e vão
participar de seminário em Brasília, nos dias 22 e 23 de fevereiro de 2013. No
evento serão anunciados os seis vencedores, que irão à Tunísia para participar
do Fórum Social Mundial 2013, de 23 a 28 de março.O concurso
Esta é a terceira edição do concurso que busca reconhecer,
apoiar e disseminar o uso de tecnologias sociais na educação. O 1º Concurso
Aprender e Ensinar foi realizado em 2008 e recebeu 2.640 inscrições de todo o
Brasil. Os vencedores foram ao FSM de Belém (PA) em janeiro de 2009. Na segunda
edição, em 2010, foram 3.075 inscritos, e os cinco educadores premiados
viajaram a Dacar, no Senegal, em 2011.
Tecnologias sociais
Muitos professores já utilizam tecnologias sociais (TS) em
suas aulas e nem imaginam. As TS são soluções simples e de baixo custo,
desenvolvidas com o envolvimento dos alunos, professores e comunidade, como os
pais e vizinhos da escola. Outro aspecto das TS é que elas buscam o desenvolvimento
local com transformação social e podem ser reaplicadas em qualquer lugar. Entre
as iniciativas premiadas nas edições anteriores estão a construção de um forno
solar, uma horta de ervas medicinais feita pelos alunos, professores e
comunidade, a criação de uma moeda verde para troca de materiais recicláveis e
um programa de inclusão de crianças surdas por meio da Língua Brasileira de
Sinais (Libras).
Projeto amplia prazo de duração de estágio para deficientes
A Câmara analisa o Projeto de Lei 4443/12, do deputado
Márcio Marinho (PRB-BA), que dobra de 2 para 4 anos o prazo do estágio para
aluno com deficiência.
A Lei do Estágio (11.788/08) estabelece que o estágio em uma
mesma empresa para pessoa com deficiência não pode exceder dois anos.
Segundo Marinho, não há vantagem em limitar a dois anos o
período em uma mesma empresa. “A necessidade de troca do local do estágio pode
interferir negativamente em trajetória de formação bem sucedida.”
Tramitação
A proposta, que foi apensada ao PL 4579/09, será analisada
conclusivamente pelas comissões de Educação e Cultura; Trabalho, de
Administração e Serviço Público; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
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