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segunda-feira, 13 de maio de 2013

Terceirizar pra quê?

A Terceirização é um tipo de privatização. É uma forma gradativa de passar a responsabilidade do Estado ao setor privado. É um dos jeitos que o neoliberalismo encontrou de dizer que o Estado não é capaz de gerir o que é público, fazendo com que não se torne  mais público.
Sou contra a privatização! Sou contra a Terceirização! Terceirizar pra quê?
Sou contra principalmente a terceirização da educação e dos serviços envolvidos com a Educação: merenda, material escolar, uniforme, limpeza, construção de escolas...
[...]
Essa semana recebemos a noticia que em Poá/SP a creche Maria Umbelina Nunes Provisor, no Jardim santa Helena foi terceirizada antes mesmo de sua inauguração. Uma terceirização inclusive sem cabimento pois a Educação poaense é considerada uma das melhores da região do Alto Tiete.Sem mais cabimento ainda devido ao fato o qual a Prefeitura além de repassar o valor de R$35.000,00 mensais, pagará a manutenção do prédio, a alimentação, a supervisão, a capacitação para os funcionários e os equipamentos pedagógicos. Pera lá! Acredito ser mais fácil e barato pra todos e todas fazer concurso público para Diretor, vice - diretor e coordenador pedagógico.
Qual o objetivo desse convênio afinal? Gerenciar o quê? O já gerenciado!
Isso chama - se mcdonalização, estamos  deixando que façam do público o fast food do mercado.
E isso não pode acontecer.
Não a terceirização da Educação poaense!



quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Educação e liberdade - parte II

O fato é que estamos longe de alcançar uma ampla mudança educacional. A base de nosso sistema, a educação básica - que compreende ensino infantil, fundamental e médio(exceção feita às escolas técnicas)-, está em condição absolutamente deplorável, provocada por décadas da política de elites dominantes que nunca priorizam esse sistema, preferindo direcionar os investimentos públicos para interesses que sustentaram a corrupção e o lucro próprio ou o das grandes corporações. Um dos resultados que nitidamente denuncia a fragilidade de nosso sistema escolar é o índice de alfabetização de crianças. A escola pública, em grande parte de nosso país, ainda não está conseguindo alfabetizar seus alunos, como demonstram diversos artigos, reportagens e dados oficiais e não oficiais.
De forma constante, o ensino superior público brasileiro seguiu trajetória um pouco diferente. Desenvolveu - se historicamente à sombra dos interesses das classes dominantes, criando todavia, a partir do governo Lula, um paralelo surpreendente de oportunidades para uma nova classe média, com a emergência de expectativas e pressões que jamais poderão ser ignoradas.
Incorpora - se a isso a ampliação do ProUni e encontramos um horizonte novo e promissor, mas ainda distante da resolução das necessidades educacionais dos jovens brasileiros. Nos últimos anos dobrou a proporção de jovens de 18 a 24 anos(13,9%) cursando o ensino superior. Mesmo assim, o percentual é baixo quando comparado a diversos países - o Chile, por exemplo, que nesse campo ultrapassa 50%.
Nossa revolução educacional ainda não foi lançada. O país ainda permanece no nível do consumo alienado, sem a devida apreensão do domínio do trabalho e dos alicerces essenciais científicos e tecnológicos. Consumimos produtos sem a preocupação com a origem, com a forma ou com os fundamentos de sua produção. Não existem laboratórios de química, biologia e física em praticamente todas as escolas do ensino público fundamental e médio. Apenas uma minoria de crianças das classes de menor renda chega à universidade. No entanto, são as mesmas classes que são responsáveis pela metade do crescimento das vendas de alimentos, artigos de higiene e limpeza e bens duráveis no país. Compreender e dominar os fundamentos da energia química e elétrica é talvez mais importante do que mera utilização da TV, do computador com monitor LED ou do próprio celular. Os que criaram e os que produzem tais objetos têm a exata noção do que significa a agregação de valor quando criam, comercializam e vendem tais produtos...

Texto de José Weber Freire Macedo para o livro " Políticas Públicas para um novo projeto nacional de desenvolvimento: a experiência dos comunistas."



quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Educação e liberdade - parte I

É normalmente aceita a tese de que a boa educação, baseada na correta apropriação dos fundamentos científicos e tecnológicos e contextualizada no dinamismo das transformações de forças produtivas, provoca e firma o desenvolvimento social. Desnecessário citar que diversos países a educação plena deixou marcas profundas, que não podem ser apagadas. O capitalismo prosperou não só pela base educacional ampla - nos casos dos países chamados desenvolvidos - , mas também pela ausência das formas educativas nos países periféricos. Até mesmo nos países que optaram pelo socialismo a educação permite, ainda hoje, que a população seja amplamente alfabetizada, trazendo contradições intensas ao tortuoso processo capitalista.
Por uma opção ideológica que assumi há muito tempo, pela própria condição de educador e pelo fato de ter exercido reitorias, procuro entender como o sistema capitalista sua a plenitude da educação dialeticamente no tecido social: educar ou não educar, dependendo do interesse e da apropriação científica e principalmente tecnológica - vinculadas à busca da maximização do lucro associada à concentração perversa de riquezas e a crises de sustentabilidade.
Contrapor - se a essas questões não é tarefa simples, principalmente em um país como o Brasil. A educação nunca foi prioridade dos governos brasileiros, e somente após a eleição de um operário passamos a perceber com mais clareza e enorme e crucial obra a ser cumprida. Educação é condição do exercício da liberdade. A história brasileira registra situações absolutamente perversas, como expressa pelo ex - governador de um estado brasileiro que, na década  de cinquenta, afirmou que não seria necessária a abertura de escolas rurais porque isso provocaria a falta de mão de obra para a cultura cafeeira.
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José Weber Freire Machado - texto escrito para o livro " Políticas Públicas para um novo projeto nacional de desenvolvimento: a experiência dos comunistas"