segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Uso do Enem como vestibular exige nova medida para avaliar qualidade do ensino


São Paulo – A adaptação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para se tornar uma prova de seleção para universidades deixou esta etapa do ensino sem uma avaliação eficaz de sua qualidade. A solução seria reajustar o teste para que ele também produza dados avaliativos, ou aprimorar a Prova Brasil, criada para analisar as competências do ensino médio.
Até 2009 a principal função do Enem era fazer uma avaliação da qualidade desta etapa. A partir daí, a nota no exame passou a ser critério de seleção em programas de democratização do ensino superior, como Programa Universidade para Todos (ProUni), que está em fase de inscrições, e o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que terá as matrículas na primeira fase realizadas entre os dias 18 e 22.
“O Enem precisa assumir aquilo que cada vez mais ele é: um exame vestibular, construído de forma mais planejada que os tradicionais e uma porta de entrada para o ensino superior”, afirma o coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara. “Em termos de avaliação do ensino, que é outro lado, ele tem cada vez mais perdido sentido.”
Para ele, o exame deve ser apenas uma forma de seleção para o ensino superior e a análise da qualidade do ensino médio deve ser feita pela Prova Brasil. “Agora, ela precisa ser aperfeiçoada, porque o conjunto de disciplinas avaliadas pelo Enem são mais interessantes que a Prova Brasil, que só avalia português e matemática. Seria necessário incluir nela ciências humanas e ciências da natureza”.
O coordenador do Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação, Tufi Machado, discorda. Pelo custo da prova e pelo desgaste dos estudantes ele acredita que o Enem deveria selecionar candidatos para o ensino superior, avaliar o ensino médio e ainda certificar os estudantes. 
“Ter um teste diagnóstico, um teste de seleção e outro de formação são três a serem feitos. Cria um problema de custo que tem implicações tanto para o governo, quanto para as pessoas que vão fazer o teste”, afirma. “Outra questão é que os garotos vão ter que fazer dois ou vários testes no final do ensino médio e isso é desgastante. Os alunos estão muito motivados para fazer um teste de seleção e certificação, mas certamente não estão tanto para fazer um teste diagnóstico.”
Ele considera que a prova precisa se sofisticar para dar conta das três avaliações, de forma que fique claro se o aluno alcançou a nota mínima para certificação ou para entrada na universidade. “A avaliação diagnóstica precisa ter itens que cubram pelo menos as principais habilidades que são requeridas no ensino médio. Já a de seleção precisa ter um teste bom, que seja capaz de ranquear os candidatos.” 

Dois momentos

Quando a prova deixou de ser somente uma avaliação e se tornou uma espécie de vestibular nacional, a estrutura das questões e o conteúdo avaliado também mudaram. “Corretamente o MEC pensou que o exame teria de ser mais próximo da lógica do raciocínio, baseado não nos conhecimentos mais estáticos, mas nos mais críticos e elaborados. A prova exige que você pense sobre a matéria e não decore os conteúdos”, avalia Cara.
A estudante Mariana Ramos, que ingressou no curso de medicina na Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul, com o Enem, concorda com as mudanças. “O nível da prova em si não achei que modificou. As questões eram bem objetivas e bem de interpretação de texto. Acho a prova acessível”, afirma. “Às vezes rola um preconceito de leve com a gente aqui. Tem gente que fala que viemos de São Paulo para cá roubar as vagas do pessoal daqui”.
Já a estudante de jornalismo Barbara Bigarelli acredita que foi prejudicada pelas mudanças do Enem quando fez a prova, na edição de 2010. Naquele ano o exame sofreu uma mudança de estrutura, com o aumento do número de questões e o desmembramento da prova em dois dias. “O processo foi muito desorganizado, ninguém sabia como ia ser a prova e quantas questões ia ter. Primeiro era um dia, depois virou dois, nem os professores do cursinho estavam preparados para isso.”

Para melhorar

Se o Enem tem caminhado cada vez mais para se tornar um grande vestibular, é necessário que ele seja aprimorado, de acordo com Daniel Cara. “Em termos pedagógicos, de selecionar alunos preparados para pensar no ensino superior, acho que o Enem está mais avançado que um vestibular tradicional, mas ainda tem alguns problemas de execução.”
“A gente não tem ainda uma tradição de profissionais que são formados para serem bons aplicadores de prova. Temos também um baixo controle social e uma grande dificuldade para as pessoas com deficiência, que terá de ser aperfeiçoada. Então temos ainda desafios de gestão para o exame.”
 Fonte e Autor: Estevan Muniz e Sarah Fernandes, da Rede Brasil Atual






UNIFESP abre inscrições para concurso público de Técnico de Assuntos Educaionais

A Universidade Federal  de São Paulo, UNIFESP, lançou edital de abertura para provimento de diversos cargos. Entre tais cargos estão o de Técnico de Assuntos Educacionais. Para participar do concurso público é necessário ser graduado em Pedagogia e fazer sua inscrição exclusivamente via internet no site http://www.unifesp.b e pagar o valor de R$ 75,00. O cargo referido tem carga horária de 40 horas semanais e vencimentos de R$ 2989,33.


Cotas deveriam chegar às universidades estaduais e particulares


Na avaliação do pesquisador da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) André Lázaro, o sistema de cotas ainda é bastante restrito no país e não atinge nem um terço das matrículas no ensino superior. O debate ocorreu durante o 14º Conselho Nacional de Entidades de Base (Coneb) da UNE que acontece em Pernambuco.


A Lei de Cotas precisa ultrapassar as fronteiras das universidades federais e chegar, principalmente, às universidades estaduais e particulares. 

De acordo com o Censo da Educação Superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) de 2011, o total de matrículas nas universidades brasileiras chegava a 6,7 milhões. Dessas, 4,96 milhões, ou seja, 77,7% eram em instituições privadas. As públicas correspondiam a 1,77 milhão, 26,3%. Dentre as públicas, as federais receberam 1,03 milhão de matrículas, as estaduais 619 mil e as municipais, 121 mil.

“As cotas chegam só nesse 1,03 milhão. Agora, em mais 8% das particulares com o Programa Universidade para Todos (Prouni). Isso é só um começo. Esses números têm que aumentar. O que se pode fazer com as privadas? É preciso pensar em algo. E com as estaduais? Essas são públicas e não têm que reservar vagas”, questiona Lazaro, que já foi diretor e secretário do Ministério da Educação (MEC).

Regulamentada pelo Decreto 7.824, de outubro de 2012, a Lei de Cotas prevê a destinação de 50% das vagas em universidades e institutos federais a alunos que tenham cursado todo o ensino médio em escolas públicas. A norma será implementada gradualmente. Para este ano, 12,5% das vagas serão reservadas. A lei tem validade até 2022 e também considera critérios como renda familiar e raça.

Na opinião do assessor da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Serppir) Felipe Freitas, a lei, que permite a consolidação da democracia brasileira e o enfrentamento do racismo, deve ser ampliada. “O que vivemos agora é a precarização das universidades estaduais. O debate dessas universidades é fundamental para universalizar o sistema.”

A estudante Danielle Ferreira, diretora de Combate ao Racismo do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal da Bahia (UFBA), diz ainda que é preciso vencer, entre os próprios cotistas, a vergonha de ter ingressado na universidade por meio de cotas. Segundo ela, na universidade em que estuda, há professores que pedem para que os alunos que entraram por cotas se identifiquem.

“E eles não dizem por vergonha. Deveria acontecer o contrário. Deveriam se orgulhar e servirem de multiplicadores da eficácia do sistema”, disse a aluna. 

Neste ano, mais de 3,5 mil inscrições foram recebidas de todas as regiões do país. Sob o tema “A Luta pela Reforma Universitária: do Manifesto de Córdoba aos Nossos Dias”, o Coneb debateu temas ligados às universidades e ao Brasil. Ao final do evento, os delegados vão decidir os rumos e posicionamentos da UNE para 2013. 



Fonte: Agência Brasil

ANPG e Ubes entregam carta de reivindicações ao ministro


A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) entregaram na noite deste domingo (20) ao ministro da Educação, Aloizio Mercadante, uma carta de reivindicações.


 
 Entidades estudantis e ministro debatem educação em Pernambuco.
A principal demanda da ANPG é o reajuste em 30% das bolsas de mestrado e doutorado oferecidas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). 

Em 2012, houve um acordo com o Ministério da Ciência e Tecnologia para um aumento de 40% no valor das bolsas. No segundo semestre do ano passado, houve um reajuste de 10%. Os estudantes pedem a complementação do percentual.

O diretor de Políticas Educacionais da ANPG e mestrando em História Social na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Lucas Machado, afirma que “sem que o pesquisador seja valorizado não tem como o Brasil projetar e organizar o seu desenvolvimento. A valorização do pesquisador é questão fundamental para pensar estrategicamente a situação brasileira”.

O valor da bolsa de estudos é R$ 1.350, para mestrado, e R$ 2 mil, para estudantes de doutorado. “Qualquer pessoa em início de carreira pode ganhar mais do que o valor da bolsa, o que nos estimula a continuar na universidade? Tem que gostar muito mesmo de pesquisar”, afirma Tamara Naiz da Silva, tesoureira da ANPG.

Secundaristas

A entrega foi feita durante o 2º Encontro Nacional de Grêmios da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), evento sediado na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) simultaneamente ao 14º Conselho Nacional de Entidades de Base (Coneb) da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Com os secundaristas, na parte da tarde, o tema do debate foi a Lei de Cotas. “Se mais de 80% dos estudantes do Brasil são de escola pública, por que não 50% das vagas nas universidades serem destinadas a eles?”, questionou Mercadante, arrancando aplausos dos cerca de 1,5 mil alunos presentes.

A estudante Isadora Faber, autora da página Diário de Classe, também participou do debate. Ela ficou conhecida por manter uma página na internet em que mostra os problemas e cobra melhorias na escola pública onde estuda, em Florianópolis.

Com Agência Brasil e Portal ANPG

domingo, 20 de janeiro de 2013

Professores farão greve nacional em abril


A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), que agrega 44 entidades de todo o país, realizará uma greve entre os dias 23 e 25 de abril, durante a Semana Nacional de Educação.


O encontro e a paralisação têm como objetivo defender a aplicação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação pública e discutir uma alteração na Medida Provisória (MP) 592, para que os royalties do petróleo sejam destinados para o setor.

Frente à pressão de diversos movimentos sociais e educacionais, o Plano Nacional de Educação (PNE) - que prevê a aplicação em até dez anos de 10% do PIB na área da educação - foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara no dia 16 de outubro do ano passado e encaminhado para votação no Senado. Se aprovado pelos senadores sem alterações, o texto vai para sanção presidencial. Atualmente, União, estados e municípios aplicam juntos cerca de 5% do PIB no setor por ano.

O texto do PNE diz que serão utilizados 50% dos recursos do pré-sal, incluídos os royalties, diretamente em educação. Hoje, os recursos que vão para a área não chegam a 20%. A CNTE, no entanto, exige que o total dos royalties do pré-sal sejam destinados apenas à educação.

Fonte: Brasil de Fato